Eu adoro o canal TCM, só passa filmes antigos, daquela época dourada de Hollywood, onde só os filmes importavam, a vida pessoal dos atores/atrizes não importava (afinal, só descobriram que o Rock Hudson era homossexual quando ele morreu de AIDS).

Enquanto eu assistia Agora Seremos Felizes (1944) com a Judy Garland, notei duas coisas:
1- Vicent Minelli era O diretor de musicais da época. A maioria dos filmes cantantes são dele.
2- Filmes feitos em épocas de guerra são tão surreais, que levam você a um êxtase de achar que o mundo pode ser sim, cor-de-rosa.

Esse filme com a Judy Garland, originalmente se chama Meet Me In St. Louis. O filme narra à estória de uma familia típica norte-americana, que mora na pacata, porém crescente St. Louis, que mais tarde viria a ser a Louisiana (se eu não me engano, pelo menos foi o que a personagem de Jenifer Hudson disse no filme Sex and The City). É um filme de época (deve se passar no século 18/19) que mostra como seria viver na utopia. Todos na familia se dão bem, todas as filhas possuem pretendentes, eles são ricos, e o único problema que eles possuem é “que roupa ir ao baile?”. Esse e mais tantos outros filmes feitos durante momentos tão tristes, tinham apenas um objetivo, literalmente tirar as pessoas da realidade. O cinema deveria servir como um refúgio das noticias ruins e da falta de esperança, os filmes deveriam mostrar que seria possível superar um momento dificil e que as pessoas poderiam viver o tal american dream. Foi durante o período das Guerras Mundiais, que surgiram os musicais e os filmes cor-de-rosa. E se alguns desses filmes tinham como personagem um marinheiro (dificialmente era um aviador ou soldado), ele estava sempre feliz, atras de um amor, gostando de trabalhar no mar. Ou seja, ou eles tiravam as pessoas de uma realidade cruel para levá-las a um mundo cheio de amor e felicidade ou mostravam que participar da história do país não prejudicaria suas vidas.

Com o fim das guerras e de tempos absurdamentes dificeis para todos, os filmes agora não estão mais cor-de-rosa ou utópicos. Pelo contrário, agora eles nos levam a uma fantasia de guerras, lutas, violência e ilegacidade (não todos, mas a maioria). Na época dourada do cinema, dificilmente você acha um filme que tenha uma cena de violência. Hoje é mais comum você ir ao cinema e ver uma cena de violência. Os filmes mudam de acordo com a época em que são feitos. Vieram os documentários, gêneros de guerra, ação, aventura, ficção. A maioria para nos levar a um tipo diferente de utopia, na qual nem tudo é felicidade, mas onde tudo é superável. Mas os filmes começam a se aproximar da nossa realidade, a fugir da utopia (seja ela qual for), cada vez mais assistimos filmes realistas que nos transportam para dentro da tela, um exemplo disso são os 10 minutos iniciais do filme O Resgate do Soldado Ryan, é tão real, que você tem a sensação de estar naquela invasão.

A maior mudança nos filmes, que se percebe, é o quanto eles ficaram cada vez mais violentos e menos cor-de-rosa. Qualquer filme hoje tem uma cena de briga ou luta, palavrão nas falas, pessoas descontroladas. Caramba! Onde foram parar os filmes utópicos? Aqueles filmes tolos que quando você assiste fica com uma sensação de leveza, e acredita que a vida ainda pode ser fácil?
A verdade, é que esses filmes ainda existem, mas seu público diminui. As pessoas não querem fugir da realidade como antes. Elas tem a noção de que ficção e realidade não andam juntas. E quando assistem a um filme inocente, bobo, acham patético, falta de tempo e vão procurar outros filmes, com mais ação, pancadaria, sangue.

O público mudou. Antes não queriam viver na realidade, hoje continuam não querendo viver na realidade, mas tambem não se importam em fugir dela. Somos menos sonhadores. Mais realistas. E a industria do cinema vai atrás do que o público é. Não adiata reclamar que os filmes de hoje são violentos ou sei-la-o-que, enquanto as pessoas preferirem ver o Jason voltar para matar e o Bruce Willis voltar para derrotar os terroristas-que-querem-destruir-os-EUA, os filmes utópicos vão continuar sem chance.

Só fico imaginando o que irá fazer com que as pessoas voltem a assistir os filmes cor-de-rosa.

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