Assistindo filmes percebemos o quanto as estórias mudam, o ângulo das câmeras fica diferente, os personagens mudam e com isso percebemos a mudança na sociedade. Filmes ditam moda, estilos musicais, atitudes. Tendo isso em mente me pergunto: o cinema mudou o mundo, ou o mundo mudou o cinema? Cada década teve um tema, um estilo, um ator ou personagem marcante no cinema e que foi refletido na sociedade da época.

Anos 30

Numa época entre guerras, onde as mulheres começavam a ganhar importância fora de casa, o retrato feminino no cinema era ainda “inocente”. Começo dos musicais, da dupla Fred Astaire e Ginger Rogers, de filmes utópicos para tirar as pessoas da realidade ou para mostrar que guerras e decisões políticas (errôneas, talvez?) tinham um propósito bom, e que valia a pena lutar pelo seu país. O cinema servia puramente para divertir e manipular as pessoas, tirando-as da realidade fria na qual elas viviam.

Dica de filme: Picolino (1932)


Anos 50

Década do Rei do Rock, Elvis também se aventurou no cinema (e cá entre nós, ainda bem que ele se dedicou a música) e foi quando as groupies começaram a aparecer (ainda em pequeno número). A ingenuidade no cinema começava a se dissipar, o primeiro bad boy de Hollywood apareceu: James Dean. A juventude rebelde começou a ser retratada, adolescentes problemáticos que se revoltavam contra uma geração mais velha que não aceitava uma mudança de valores e atitudes.

Dica de filme: Juventude Transviada (1955)

Anos 60

Época do Love & Peace, Woodstock, movimento hippie, sexo/drogas/rock n’ roll. Sim, os anos 60 foram bem interessantes e liberais. Os Beatles ficaram famosos, as groupies finalmente tomaram poder, a MTV foi criada,Sidney Poitier ganhou o Oscar de Melhor Ator e a interação de pessoas de raças diferentes começava a acontecer. Havia ditadura no Brasil, e a liberdade de expressão foi tomando seu espaço, a sociedade começou a entender o seu papel na política, e a música e o cinema se firmaram como um meio de crítica e expressão.

Dica de filme: Adivinha Quem Vem para Jantar? (1967)

Anos 70

Depois de uma década conturbada, os anos 70 tiveram sua chance e foram um marco na história. Afinal foi quando estourou Embalos de Sábado a Noite. Graças ao John Travolta calças boca-de-sino, Bee Gees e cortes de cabelos (de gosto duvidoso) entraram na moda. Os nerds ganharam espaço (literalmente) no lançamento de Star Wars, e os mafiosos foram aclamados pelo público em O Poderoso Chefão I e II. Passeatas contra a Guerra do Vietnã aconteciam e cada vez mais a política entrou em foco.

Dica de filme: O Exorcista (1973)

Anos 80

A década das pessoas que-não-sabiam-se-vestir-e-arrumar-o-cabelo. Bob Marley e John Lennon morreram, e Madonna (pior fase) e Michael Jackson (melhor fase) apareceram. No cinema os filmes de ação, ficção e terror ganharam lugar: Star Wars teve duas continuações, ET’s eram fofos, e arqueologia se tornou uma profissão interessante com Indiana Jones. Depois de duas décadas em conflitos contra governos, e marcadas por guerras, os anos 80 foi a década de “alívio” ou de “descanso”. O cinema voltou a entreter, mas dessa vez sem alienar as pessoas, mostrando-as que erros do passado não deviam ser repetidos e que suas atitudes influenciam o futuro.

Dica de filme: Blade Runner(1982)

Anos 90

Após uma década de descanso, veio os anos 90 e com ele: a Guerra Fria, ataques terroristas e a morte do Kurt Cobain. O rock virou música do demônio, e o conflito de gerações voltou mais forte. O homossexualismo deixou de ser rotulado como doença, e ninguém sabia o que Michael Jackson era. O computador foi melhorado, os videogames também, e com isso houve um avanço na tecnologia que possibilitou o primeiro passo para a revolução na parte de Efeitos Visuais nos filmes. Titanic, com uma estória de amor manjada e efeitos deslumbrantes arrecadou 11 estatuetas do Oscar e fez DiCaprio o Robert Pattinson dos anos 90 (com a diferença de que o DiCaprio sabe atuar).

Dica de filme: Matrix (1999)

Eu adoro o canal TCM, só passa filmes antigos, daquela época dourada de Hollywood, onde só os filmes importavam, a vida pessoal dos atores/atrizes não importava (afinal, só descobriram que o Rock Hudson era homossexual quando ele morreu de AIDS).

Enquanto eu assistia Agora Seremos Felizes (1944) com a Judy Garland, notei duas coisas:
1- Vicent Minelli era O diretor de musicais da época. A maioria dos filmes cantantes são dele.
2- Filmes feitos em épocas de guerra são tão surreais, que levam você a um êxtase de achar que o mundo pode ser sim, cor-de-rosa.

Esse filme com a Judy Garland, originalmente se chama Meet Me In St. Louis. O filme narra à estória de uma familia típica norte-americana, que mora na pacata, porém crescente St. Louis, que mais tarde viria a ser a Louisiana (se eu não me engano, pelo menos foi o que a personagem de Jenifer Hudson disse no filme Sex and The City). É um filme de época (deve se passar no século 18/19) que mostra como seria viver na utopia. Todos na familia se dão bem, todas as filhas possuem pretendentes, eles são ricos, e o único problema que eles possuem é “que roupa ir ao baile?”. Esse e mais tantos outros filmes feitos durante momentos tão tristes, tinham apenas um objetivo, literalmente tirar as pessoas da realidade. O cinema deveria servir como um refúgio das noticias ruins e da falta de esperança, os filmes deveriam mostrar que seria possível superar um momento dificil e que as pessoas poderiam viver o tal american dream. Foi durante o período das Guerras Mundiais, que surgiram os musicais e os filmes cor-de-rosa. E se alguns desses filmes tinham como personagem um marinheiro (dificialmente era um aviador ou soldado), ele estava sempre feliz, atras de um amor, gostando de trabalhar no mar. Ou seja, ou eles tiravam as pessoas de uma realidade cruel para levá-las a um mundo cheio de amor e felicidade ou mostravam que participar da história do país não prejudicaria suas vidas.

Com o fim das guerras e de tempos absurdamentes dificeis para todos, os filmes agora não estão mais cor-de-rosa ou utópicos. Pelo contrário, agora eles nos levam a uma fantasia de guerras, lutas, violência e ilegacidade (não todos, mas a maioria). Na época dourada do cinema, dificilmente você acha um filme que tenha uma cena de violência. Hoje é mais comum você ir ao cinema e ver uma cena de violência. Os filmes mudam de acordo com a época em que são feitos. Vieram os documentários, gêneros de guerra, ação, aventura, ficção. A maioria para nos levar a um tipo diferente de utopia, na qual nem tudo é felicidade, mas onde tudo é superável. Mas os filmes começam a se aproximar da nossa realidade, a fugir da utopia (seja ela qual for), cada vez mais assistimos filmes realistas que nos transportam para dentro da tela, um exemplo disso são os 10 minutos iniciais do filme O Resgate do Soldado Ryan, é tão real, que você tem a sensação de estar naquela invasão.

A maior mudança nos filmes, que se percebe, é o quanto eles ficaram cada vez mais violentos e menos cor-de-rosa. Qualquer filme hoje tem uma cena de briga ou luta, palavrão nas falas, pessoas descontroladas. Caramba! Onde foram parar os filmes utópicos? Aqueles filmes tolos que quando você assiste fica com uma sensação de leveza, e acredita que a vida ainda pode ser fácil?
A verdade, é que esses filmes ainda existem, mas seu público diminui. As pessoas não querem fugir da realidade como antes. Elas tem a noção de que ficção e realidade não andam juntas. E quando assistem a um filme inocente, bobo, acham patético, falta de tempo e vão procurar outros filmes, com mais ação, pancadaria, sangue.

O público mudou. Antes não queriam viver na realidade, hoje continuam não querendo viver na realidade, mas tambem não se importam em fugir dela. Somos menos sonhadores. Mais realistas. E a industria do cinema vai atrás do que o público é. Não adiata reclamar que os filmes de hoje são violentos ou sei-la-o-que, enquanto as pessoas preferirem ver o Jason voltar para matar e o Bruce Willis voltar para derrotar os terroristas-que-querem-destruir-os-EUA, os filmes utópicos vão continuar sem chance.

Só fico imaginando o que irá fazer com que as pessoas voltem a assistir os filmes cor-de-rosa.

Mais uma operação tapa-buraco em ação! Dessa vez, vai ser o trecho de dois filmes. Primeir, seguindo o último post do tapa-buraco, vai ser um diálogo do filme Orgulho e Preconceito (sim, eu sou viciada nessa estória, mas não chega a ser algo doentio).



1- Orgulho e Preconceito
O diálogo segue com Mr. Bennet (Donald Sutherland) falando a Lizzie (Keira Knightley), após a filha mais velha dos Bennet levar um pé-na-bunda:


Mr. Bennet: "É bom uma garota sofrer uma desilusão amorosa de vez em quando. Dá a ela o que pensar e uma certa distinção entre as amigas."

2- Kill Bill II

Nesse diálogo, Bill (David Carradine) fala à Noiva (Uma Thruman), sobre heroísmo/heróis:




Bill: "Todos os acham que Superman é o alter-ego de Clark Kent. Mas, ele nasceu Superman, então Clark Kent é o alter-ego. Clark é o modo como o Superman vê os humanos."


Eu sei que ele não fala exatamente isso, por isso separei o link da cena para vocês conferirem o diálogo ou seria monólogo, sobre heróis:


Bjinhos